Passado pouco mais de um mês desde que Laurez Moreira assumiu o comando do Tocantins, após o afastamento de Wanderlei Barbosa, o novo governador ainda não conseguiu convencer. A sensação predominante, tanto nas ruas quanto nos bastidores políticos, é a de que o governo começou sem alma, sem identidade e, sobretudo, sem sintonia com o povo.
Laurez chegou ao Palácio Araguaia com o discurso da experiência e da capacidade de gestão, mas o que se vê até agora é um governo preso a velhas amarras, sustentado por um grupo político que mais parece um peso do que um suporte. Um grupo de peso, sim — mas que pesa em qualquer lugar. São figuras conhecidas, com longo histórico de poder e influência, mas também de rejeição popular.
O povo do Tocantins, cansado das mesmas caras e dos mesmos arranjos, esperava algo diferente. Esperava que Laurez aproveitasse a oportunidade histórica de inaugurar um novo ciclo, com transparência, sensibilidade e diálogo com as bases. Mas o que se percebe é o oposto: um governo fechado, técnico apenas no discurso, distante da população e refém de acordos políticos que cheiram a passado.
Laurez parece não ter entendido o momento em que governa. O Tocantins de 2025 não é o mesmo de 2010 — o eleitor está mais atento, mais crítico e mais descrente. Um Estado que há quase duas décadas não vê um governador terminar o mandato não quer mais discursos ensaiados nem repetições de práticas que o levaram ao descrédito. Quer resultados, firmeza moral e coragem para romper com o sistema que sufoca o próprio desenvolvimento.
Enquanto isso, Laurez segue tentando se equilibrar entre agradar aliados e conquistar o povo — e, até aqui, não conseguiu fazer nenhuma das duas coisas. O governo não empolga, não inspira e não mostra rumo. A sensação é de que há um piloto no comando, mas sem mapa, sem direção e, pior, cercado de co-pilotos que há tempos já perderam o rumo da política.
O Tocantins precisa de liderança, não de conveniências. Precisa de um governador que olhe para frente, não para o retrovisor da política tradicional. Se Laurez Moreira quiser reverter a crescente desconfiança popular, terá de fazer mais do que distribuir cargos e prometer diálogo — terá de governar com coragem, autenticidade e independência.
Porque, do jeito que começou, o atual governo corre o sério risco de ser lembrado não pela renovação, mas pelo peso político que o impede de andar.











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