Em entrevista a rádios da Bahia nesta quinta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que a população deve “se educar” para substituir produtos caros por opções mais baratas, como forma de enfrentar a alta nos preços dos alimentos. A fala, no entanto, levanta questionamentos sobre a real responsabilidade do governo na contenção da inflação e no poder de compra dos brasileiros.
Lula argumentou que os consumidores podem forçar uma queda nos preços ao deixar de comprar produtos que encareceram, mas ignorou que, para muitas famílias, não há sequer alternativas acessíveis. Itens básicos como arroz, feijão e carne têm registrado aumentos sucessivos, deixando poucos espaços para substituições.
O presidente também voltou a criticar o Banco Central, classificando sua gestão anterior como “irresponsável” e atribuindo a alta da inflação a três fatores: a valorização do dólar, a política monetária da instituição e o crescimento das exportações, que reduziria a oferta interna de alimentos. No entanto, especialistas apontam que a inflação dos alimentos também reflete problemas estruturais, como a falta de investimentos em produção agrícola voltada ao mercado interno e a carga tributária sobre itens básicos.
Lula prometeu anunciar em breve medidas para incentivar o crédito, mas não detalhou como pretende combater a carestia que afeta principalmente as famílias de baixa renda.
Sobre 2026, o presidente evitou confirmar sua candidatura à reeleição, mas fez questão de atacar a oposição, insinuando que o “negacionismo não voltará” e que, caso o ex-presidente Jair Bolsonaro concorra novamente, será derrotado. Apesar da confiança, Lula minimizou as pesquisas eleitorais que mostram um cenário indefinido para o próximo pleito, afirmando que só se preocupam com números aqueles que “não têm o que mostrar”.











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